
ESTOU TATUANDO EM NOVO ENDEREÇO!!!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Desprezo E Solidão
Encenei uma peça teatral
Encenei uma peça teatral
Dentro de uma sala de aula
Em uma atuação dramática
Pude expressar todo o sentimento do meu personagem
Que desolado e abatido
Refletia toda a sua angustia
Gerada dentro de uma alma aflita e perturbada
Que durante muitos anos sofreu amargamente
Com a perseguição insana de uma sociedade egoísta
Criada por pessoas individualistas e preconceituosas
Que insistem em excluir do seu convívio
Tudo aquilo que lhes parecem estranho
E que não tem se encaixado com os seus padrões sociais
Abortando com suas ações e palavras
Toda a alegria de uma criança
Que teve os seus sonhos destruídos
Pelas palavras duras de uma professora autoritária
Um ser amargurado com a própria vida
Que um dia despejou sobre um aluno indefeso
Toda a sua revolta Dando a ele o pior dos castigos
A solidão
Num dia em que todos aguardavam ansiosos
A alegria que viria com o tão esperado passeio
Espelhos refletem a cicatriz de um corte profundo
E nos teus olhos eu vejo a depressão
O ônibus de excursão chegou
E levou todos os alunos para o teatro municipal
La eles se divertiram e se alegraram
Enquanto era encenada uma grande e bela apresentação
Todos se emocionaram com os personagens e versos recitados
E aplaudiram entusiasmado o perfeito trabalho
De todos aqueles atores conceituados
Mas uma criança ficou para trás
Um menino deixado sozinho e desprezado
Triste dentro da sua sala de aula
A recitar os poemas da sua própria dor
Pode por ventura uma mãe se esquecer do seu filho?
Do filho do seu ventre!
Mas ainda que essa se esqueça dele
Eu toda via nunca me esquecerei de ti
Diz o Senhor.
Por: Edson Moura.
Reflexos Da Escuridão
Eram cinco horas da manhã quando ela chegou em casa
Seu olhar assustado revelava todo medo que estava dentro de si
E sem dizer nenhuma palavra pôs-se a entrar correndo em seu quarto
Aqui dentro
Portas e janelas fechadas
Horas e horas da vida que se escoa de suas veias
Lá fora
O sol forte quase mortífero
Porém nenhuma luz toca a sua pele e nunca tocara
Bela jovem ao pálido reflexo dos espelhos
Linda até na morte
Morta segue seus dias sepultada
Em um túmulo de solidão
Pois como poderei chamar isso de vida
Caminhar ao anoitecer
vagando por entre túmulos
Alimentando-se dos restos da podridão humana
Buscando nisso satisfazer uma personalidade doentia
Fantasiando uma existência obscura
Não!!!
Eu não posso aceitar esse triste viver
Sendo que no passado nossas vidas eram tão diferentes
E estar junto de ti era para mim mais importante que tudo
Ao seu lado senti as mais fortes emoções
Nos teus braços descobri o calor da paixão
E no seu carinho uma forma de amar
Agora me diz
Como esquecerei de tantas lembranças
O som dos violinos ainda toca tão forte em minha mente
Fecho os olhos e te vejo dançar
Na alegria de cada melodia
Na emoção de cada canção
O salão foi todo seu
e eu não pude te resistir
Uma dança após outra
Noites inteiras sem parar
As festas nunca chegavam ao fim
Ah! Como queríamos que tudo aquilo fosse eterno
Desejávamos que o tempo parasse
Para que assim ele imortalizasse o nosso amor
Mais o que para mim foi apenas um pensamento
Sintetizado em belas palavras
Tornou-se para ti uma incontrolável obsessão
Uma busca insana
Pelo ocultismo sombrio
Que um dia se apresentou perante ti
Dizendo ser o único a possuir aquilo que você tanto desejava
Um sangue amaldiçoado
Que te prometeu não ver mais nos espelhos
A imagem que o tempo tanto insiste em envelhecer
Trazendo em nossas vidas
Uma estaca que dividiu o rumo do nosso caminho
Me fazendo ter que escolher entre a luz e as trevas
Adeus!
Uma palavra de despedida em minha alma
Quando escolhi o melhor caminho
Os antigos casarões estão em ruínas
Breve se tornarão escombros da decadente escuridão
E o que restara do nosso passado
Será a lembrança de um doloroso amor
Em mim
Um novo viver
Uma luz no fim do túnel a qual não rejeitei
Uma porta estreita que estou prestes a abrir
Minha alma banhada em sangue
Jorrado pelo Deus da minha salvação
Em ti
Um entristecer-se ao extremo
Uma rosa que não parou de sangrar
Um corte profundo em teu peito
Que dilacerou sua alma
E te fez descer
Ao mais profundo abismo
Por: Edson Moura.
Sombrio E Tenebroso Desfile Das Sombras
Quando a noite chega e os portões se fecham
Sombras noturnas saltam os muros
Da onde o descanso é eterno
Em busca de algo que muitos não compreendem
Mais o que será isso
Momentos de prazer
Ao ver a carne humana em decomposição
Sentindo tocar o corpo nu
Deitado no mármore frio
Ou será a atraente sensação
De estar em um bosque morto
Aonde os túmulos ocupam o lugar
Das árvores que a muito tempo existiram
E com seus brotos e ramos
Vivificavam todo esse lugar
Que agora se tornou um jardim de pedra
Aonde as flores não nascem
Mais estão sempre presentes
Dia e noite
A murchar e a morrer
Em um eterno funeral
No entanto para mim
Esse palco Tenebroso
Sempre reservou algo mais doentio
No desfile das sombras
Tinha um corredor bem distante da entrada
Aonde habitava uma escultura
Impregnada de mistério
A estátua de uma linda jovem que viveu no século passado
Seu olhar tão triste tão vazio
Me dava o estimulo a inspiração
De um pensamento criador e poético
No entanto carregado de melancolia
E quantas foram as noites em que estive ali
A recitar e declamar o meu mórbido amor
Porém sufocado em angustias
Um dia busquei conhecer e entender
A quilo que tanto rejeitava
Mais não sabia que ao abrir meu coração
Eu veria despedaçar e cair
Os muros da razão humana
Que minha ignorância havia construído
Parece até que foi ontem
Em que eu vi o céu se escurecer
Rapidamente o tempo mudou
Relâmpagos e trovões
Trouxeram fleches de luz e estrondos
Que afugentaram todos que estavam ali
Mas eu não consegui ir embora
Imóvel permaneci em pé
Por varias horas
A olhar e contemplar aquele rosto
Que um dia eu tanto amei
Seus olhos de pedra pareciam chorar
Enquanto a chuva que caia sobre nós
Banhava todo o meu corpo
No fundo também chorei
Por que sabia que aquele era o último dia em que eu a veria
Pois o coração humano
Feito de carne e sangue
Pulsa intensamente por algo mais forte
Do que apenas tristeza e dor
E por mais que esses sentimentos
Tivessem criado raízes profundas em minha alma
Chegada era a hora
Em que eu veria todas as algemas e correntes que me prendiam
Se quebrando ao meu redor
Nesse dia clamei por teu nome Senhor
Abandonando o desejo obsessivo
Que me consumia
E entendendo finalmente que
Quando as esperanças parecerem perdidas
E o triste aviso do fim soar em meus ouvidos
A marcha fúnebre não tocará
Sem que antes todos tenham ouvido dizer :
JESUS! JESUS!
Por: Edson Moura.
terça-feira, 30 de março de 2010
Matrimônio De Sangue
Desoladas vidas amarguradas não sabem para onde ir
Habitam em refúgios obscuros
Lugares onde podem se esconder
Eu mesma, durante muito tempo, andei em lugares tenebrosos
Vagando por estreitos corredores
Belas esculturas eu vi
Obras arquitetônicas apreciei
No entanto observei que nesse imenso bosque
O choro e os gemidos de dor não poderiam despertar os que agora dormem
Apenas anunciaria a chegada de um novo morador
Diante desse fato, quem pode conter as próprias lágrimas
Em meio ao funeral de quem tanto se ama
Meus olhos tentaram conter o pranto que estava dentro de mim
Mas do que adiantaria isso
Se há muitos séculos chorou o seu coração
Na madrugada fria, o nevoeiro cobriu o vale e suas flores
Densas névoas tentaram esconder a triste realidade em que vivemos
Camuflando a decadência humana
Contudo eu não desisti de caminhar ao seu encontro
E de estar em teus braços
Sendo sua noiva
Não perdi a esperança nem em meio às aflições
Pois sua vinda é certa e os meus olhos a contemplarão
Há muito se me deixou ver o Senhor
Os teus braços se abrindo por nós
E o sangue quente que jorrou do seu coração
Através dos profundos cortes
Existe um sincero e verdadeiro amor
Por isso caminhei a te buscar, sem deixar que a minha chama se apagasse
Pois do seu cálice beberei
À frente vejo uma porta manchada com sangue
Clamando de geração em geração
O noivo está voltando
E um matrimônio de sangue acontecerá
Por: Edson Moura.
Finados, Dois De Novembro
Quem nunca perdeu alguém que amava
Um bem que de tão precioso
Preenchia totalmente o coração
E que trazia a cada cinco minutos
Uma lembrança doce na mente
Juntamente com um forte desejo de estar sempre perto
De quem tanto se ama
A cada cinco minutos eu sentia uma dor angustiante em minha alma
Que se tivesse sido provocada pela lâmina de uma navalha
Nunca teria feito sofrer tanto o meu coração
Mas o que inflamou o meu peito
Foi um desejo ardente de reviver aquilo que não tem mais volta
Ao caminhar
O ser humano cria rastros formados por aquilo em que ele pisou
Trilhas a serem lembradas
Que guardei no mais profundo das minhas lembranças
Momentos e recordações que marcaram a minha vida
Aprendizados que moldaram e definiram o perfil da minha personalidade
Quando eu era um adolescente eu desejava pular os muros
E fugir de tudo aquilo que me aprisionava
Palavras autoritárias alimentavam mais e mais
O meu sentimento de revolta
Nem tudo os professores podem ensinar
Nem tudo os psicólogos podem explicar
E como os pais podem entender a loucura da rebeldia
Sem antes conhecer e buscar compreender
O choro da alma
E a tristeza do coração
Um dia pela primeira vez me recusei a fazer algo
E tomei de volta para mim à decisão
De fazer somente aquilo que eu queria
Então ouvi uma voz que me disse:
Levante-se e me acompanhe
Nesse momento o medo se apoderou de todos ao meu redor
Mais não de mim
Levantei-me e andei pelos corredores de cabeça erguida
Olhando para dentro de cada sala
Vendo submissão em cada olhar
Passei pelo refeitório e pelos banheiros até chegar no pátio
Quando cheguei no pátio parei e olhei para os dois lados
Do lado direito tinha os portões da saída
E do lado esquerdo as portas da diretoria
Por muito tempo escolhi fugir
E mesmo trancados nem os portões nem os muros da saída
Conseguiam roubar a minha liberdade
Mas naquele dia escolhi o lado esquerdo
Ao meu redor tudo era tão deserto
Caminhei por um caminho solitário e encontrei o vazio
Abri as portas e sentei-me em uma cadeira
Enquanto os meus olhos observavam os fatos da vida
Rejeição e revolta
Solidão e dor
Mais acho que apreendi mais do que quiseram me ensinar
E hoje tudo faz sentido para mim
Chovia muito naquele dia em que eu te conheci
No caminho de volta para casa
E o que será que foi aquilo que a vida nos proporcionou
Coincidência ou a maior das conspirações
Um lugar coberto em meio a chuva forte
Aproximando mais as pessoas
Você era tão calma e paciente
Em meio ao meu nervosismo e mau humor
Só você enxergava tristeza em meu olhar
E mesmo molhada com a água gelada da chuva
Achava motivos para se alegrar no seu jeito divertido de viver
Com isso conseguiu romper as muralhas do meu coração
Trazendo alegria para dentro da minha alma solitária
Então não pude resistir aos seus encantos
E acabei sorrindo na sua presença
Adolescentes provam aquilo do qual são feitas as emoções
As pernas tremem o coração acelera
E juntamente com um frio no estomago
Parece que o chão some de debaixo dos nossos pés
Passado e presente me confrontam
Sempre em meio as minhas narrativas
Um abraço forte ao toque do sinal
Um beijo doce depois da aula
Ela sempre quis saber o que aconteceu na que lê dia
Dentro da diretoria
A infância dela foi boa
Sinceramente eu me sinto feliz
Por não ter visto o que eu vi
Nem ter ouvido o que eu ouvi
Pois aquilo que ela me ensinou ao longo dos anos
Isso sim eu guardarei e na minha vida jamais me esquecerei
Mas um dia ela teve que parti
Depois de uma gravidez complicada e um parto de risco
Nos meus braços ela me entregou a filha mais linda
O maior presente que já recebi
O ardor em meu coração inflamou no meu peito
Sensações inesquecíveis de alegria e dor
Nas horas finai de quem um dia eu tanto amei
Dezesseis anos e o seu sorriso nunca mais saiu das minhas lembranças
Hoje acordei mais cedo
Queria escolher as flores mais bonitas
E preparar o melhor arranjo
Assim como nos anos anteriores segui a mesma rotina
Quase como numa tradição
Quase como em um ritual
Nessa data o dia é sempre nublado com uma fina garoa
Mas hoje o tempo frio me reservou uma forte chuva
Que me trouxe na memória
A lembrança do seu lindo sorriso e do seu jeito divertido de viver
Relembrei todo o nosso passado enquanto esperava a chuva passar
Depois que deixei as suas flores
Levantei-me e andei pelos corredores olhando para cada túmulo
Vendo a tristeza e muitas vezes o desespero no olhar de cada família
Que assim como eu perdeu um ente querido
Não vou mentir dizendo que nunca senti vontade de morrer
Mas assim como no passado parei e olhei os dois cominhos ao meu redor
E a porta que escolhi abrir tinha uma placa e nela estava escrito
VIDA
Sua partida me causou dor
Mas você deixou algo precioso para eu cuidar
E como você mesma me ensinou
Em meio à chuva forte de uma tempestade
Deus sempre nos reserva uma nova alegria
O Pai jamais se esqueceu do seu Filho
O qual ele entregou para salvar o mundo
Depois da tempestade do sofrimento da sua morte
Deus lhe reservou uma nova alegria
Ressuscitando o dentre os mortos e colocando o no trono da sua glória
Hoje fui buscar a minha filha no colégio
E o meu pensamento voou longe
Quando eu ouvi o sinal tocando
Junto com os gritos e o riso das crianças.
Por: Edson Moura.
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